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VACINAS
E NOVAS TECNOLOGIAS DE PREVENÇÃO - Nº 32
PUBLICAÇÃO DO GIV - GRUPO DE INCENTIVO À VIDA - Fevereiro de 2019
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Boletim Vacinas e Novas Tecnologias de Prevenção Anti-HIV/AIDS - GIV

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PrEP
Gays australianos confiam mais na PrEP
PESQUISA DE 2016: ALGUNS GAYS AUSTRALIANOS EXPRESSAM MUITO MAIS CONFIANÇA NA PREP DO QUE NO TRATAMENTO COMO PREVENÇÃO
Roger Pebody, aidsmap, 05 de junho de 2018

Homens gays australianos HIV-negativos expressam muito mais confiança na profilaxia pré-exposição (PrEP) do que em uma carga viral indetectável na prevenção do HIV. Apenas 18% concordavam com a afirmação “uma pessoa com carga viral indetectável não pode transmitir o HIV” e 6% sentiam-se confortáveis em ter sexo sem preservativo com um parceiro soropositivo com carga viral indetectável, de acordo com artigos recentemente publicados em Sexually Transmitted Infections and AIDS & Behavior.

CONFIANÇA MAIOR NA EFICÁCIA DA PREP

Pesquisadores do Instituto Burnet conduziram uma pesquisa on-line com homens gays e bissexuais que moram em Melbourne e em outras partes do estado de Victoria. Ela incluiu uma série de perguntas para avaliar o conhecimento e as atitudes dos homens em relação ao preservativo, carga viral indetectável e PrEP.

A Austrália tem uma longa história de promoção do uso de preservativos e testes regulares de HIV em homens gays. Mais recentemente, também houve grande apoio para o tratamento como prevenção (TcP) e a PrEP. Na época em que a pesquisa foi realizada, em agosto e setembro de 2016, um projeto de demonstração da PrEP foi ampliado em Victoria. Várias campanhas australianas promovendo os benefícios do tratamento do HIV já haviam sido realizadas, mas a campanha internacional “Indetectável = Intransmissível” ainda não havia decolado.

Nota do Editor: é possível que a campanha “Indetectável = Intransmissível” assinada por cientistas renomados de vários países e os endossos de autoridades de saúde, tais como o CDC dos EUA e a Sociedade Internacional de AIDS (IAS) cause um impacto nestas percepções. No Brasil, temos o endosso do Programa de DST/AIDS do Estado de São Paulo, do Programa Municipal de AIDS da Cidade de São Paulo e da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Mas também deve ser ressaltado que o preconceito não é baseado exclusivamente na desinformação.

Metade dos participantes da pesquisa tinham entre 25 e 40 anos; identificavam-se mais como gays; e 20% nasceram fora da Austrália. Um terço relatou sexo sem preservativo com um parceiro casual nos últimos seis meses e metade com um parceiro regular.

A pesquisa foi concluída por 844 pessoas, mas os homens com diagnóstico de HIV foram excluídos das análises a seguir. Os dados sobre conforto com sexo sem preservativo vêm de 771 homens HIV-negativos ou não testados, incluindo 83 usuários de PrEP (12% dos homens). Os dados sobre as percepções de eficácia vêm de um grupo menor de 462 entrevistados da pesquisa que responderam todas as questões relevantes e não estavam usando a PrEP. (Os pesquisadores não relataram respostas de usuários da PrEP para essas perguntas.)

PERCEPÇÕES DE EFICÁCIA

Embora esta análise tenha excluído usuários atuais da PrEP, a maioria dos entrevistados expressou confiança na eficácia da PrEP: 78% concordaram que “a PrEP é eficaz na prevenção da infecção pelo HIV” e 65% concordaram que “é improvável que uma pessoa HIV-negativa que esteja na PrEP pegue o HIV”. Os entrevistados também concordaram que os usuários da PrEP eram “responsáveis” (74%) e estavam “se protegendo” (84%).

Em contraste, 18% concordaram com a afirmação “uma pessoa com uma carga viral indetectável não pode transmitir o HIV”. Uma afirmação semelhante, com linguagem menos definitiva, não foi muito mais popular: 20% concordaram que “é pouco provável que uma pessoa soropositiva para o HIV em tratamento transmita o vírus”.

Apesar desse ceticismo, outras descobertas mostraram que os entrevistados sabiam que o tratamento do HIV tem um impacto na prevenção: 37% concordaram que “se mais homens HIV-positivos têm carga viral indetectável, então eu tenho menos chances de contrair o HIV” e 82% concordaram que “as pessoas soropositivas devem fazer tratamento para proteger os seus parceiros”.

tomar o tratamento logo após o diagnóstico parece ter se tornado uma norma comunitária: 84% concordaram que “as pessoas deveriam começar o tratamento assim que diagnosticadas”

Além disso, tomar o tratamento logo após o diagnóstico parece ter se tornado uma norma comunitária: 84% concordaram que “as pessoas deveriam começar o tratamento assim que diagnosticadas”, enquanto que as declarações que sugerem que as pessoas devem demorar até estarem completamente prontas ou até que o tratamento seja absolutamente necessário foram apoiados por menos de 10%.

CONFORTO EM FAZER SEXO SEM CAMISINHA

Esta coorte de homens soronegativos para o HIV geralmente rejeitou confiar nos seus parceiros que usam antirretrovirais para se protegerem do HIV. Eles sugeriram que suas estratégias sexuais pessoais não mudariam a resposta: 16% concordaram que “se mais homens estiverem em PrEP, eu sinto que não preciso usar preservativos para evitar o HIV”. Da mesma forma, 12% concordaram que “devido aos tratamentos com PrEP e para o HIV, é menos provável que pergunte aos meus parceiros sobre sua sorologia para o HIV”.

Gays australianos confiam mais na PrEP
16% dos entrevistados concordaram que "se mais homens estiverem em PrEP, eu sinto que não preciso usar preservativos para evitar o HIV".

Foi perguntado aos homens: “Quão confortável você estaria fazendo sexo anal sem preservativo com parceiros casuais nos seguintes cenários?” E foi solicitado a responder segundo vários tipos de parceiros. Houve diferenças importantes entre as respostas dos usuários da PrEP e dos não usuários.

Os 668 homens que não estavam tomando PrEP ficaram em geral desconfortáveis com a ideia de fazer sexo sem preservativo – somente 7% disseram que se sentiriam à vontade com ‘qualquer parceiro casual’, 5% com um parceiro casual de status de HIV desconhecido e 3% com um parceiro casual HIV-positivo. O fato do parceiro com HIV ter carga viral indetectável fez pouca diferença: apenas 6% estariam confortáveis em fazer sexo com ele.

O fato do parceiro com HIV ter carga viral indetectável fez pouca diferença: apenas 6% estariam confortáveis em fazer sexo com ele.

Os homens pareciam mais confortáveis com o serosorting ou soroadaptação, embora isso possa ser uma estratégia arriscada para homens HIV-negativos, pois há sempre a possibilidade de um parceiro ter adquirido recentemente o HIV e ainda não ter sido diagnosticado. Entre os homens que não usam a PrEP, 31% disseram que ficariam confortáveis em ter sexo sem preservativo com um parceiro casual descrito como HIV-negativo.

O serosorting ou soroadaptação refere-se a práticas sexuais entre pessoas que escolhem, segundo a sua percepção, os parceiros sexuais que consideram que têm o mesmo status sorológico para o HIV que elas mesmas, ou que optam por não usar o preservativo com estes parceiros. É claro que os cenários não são necessariamente tão simples como as pessoas soronegativas para o HIV terem relações sexuais com outras pessoas soronegativas, ou que as pessoas soropositivas para o HIV têm relações sexuais com pessoas soropositivas.

Os homens gays podem decidir qual dos parceiros é receptivo dependendo da sorologia para a infecção de cada um. Um homem soronegativo para o HIV pode considerar ser mais seguro ter relações sexuais sem o uso do preservativo com uma pessoa com carga viral indetectável do que com uma pessoa que afirma ser soronegativa para o HIV, mas que fez o teste há um ano ou mais. Contudo, ter estes comportamentos “soroadaptados” depende de cada pessoa e do nível de compreensão da comunidade sobre os fatores de transmissão da infecção pelo HIV e que podem ainda ser limitados pelo estigma.

Se o mesmo homem estivesse tomando PrEP, menos homens (23%) ficariam confortáveis em fazer sexo sem preservativo com ele, talvez refletindo a percepção dos usuários da PrEP como tomadores de risco.

Os 83 entrevistados usuários de PrEP estavam mais confortáveis com a ideia de fazer sexo sem preservativo, mas os níveis de conforto não foram particularmente altos.

Os usuários da PrEP foram mais propensos a se sentirem confortáveis em fazer sexo sem preservativo com outros usuários de PrEP HIV-negativos (72%) e parceiros HIV-negativos que não tomam PrEP (64%).

A proporção que se sentiria confortável em ter sexo sem preservativo com um parceiro HIV-positivo (29%) foi inferior a um parceiro com um estado de HIV desconhecido (34%) ou “qualquer parceiro casual” (40%).

E menos da metade dos atuais usuários da PrEP se sentiriam confortáveis em ter sexo sem preservativo com um parceiro soropositivo com carga viral indetectável (48%), embora o entrevistado estivesse protegido por dois métodos de prevenção extremamente eficazes.

CONCLUSÕES

“Enquanto os homens gays e bissexuais são altamente favoráveis à profilaxia pré-exposição, permanece algum ceticismo em relação ao tratamento do HIV quando usado para prevenção”, resumem os autores. “A crescente compreensão da comunidade sobre o Tratamento como Prevenção é necessária para otimizar as estratégias de prevenção do HIV baseadas no tratamento.”

“Em geral, homens gays e bissexuais HIV-negativos ou não testados indicaram que se mantiveram mais confortáveis negociando sexo sem preservativo com base no conhecimento da sorologia para o HIV, em vez de PrEP ou carga viral indetectável.”

REFERÊNCIAS:
• Wilkinson AL et al. Measuring and understanding the attitudes of Australian gay and bisexual men towards biomedical HIV prevention using cross-sectional data and factor analyses. Sexually Transmitted Infections 94: 309-314, 2018.
• Holt M et al. Comfort Relying on HIV Pre-exposure Prophylaxis and Treatment as Prevention for Condomless Sex: Results of an Online Survey of Australian Gay and Bisexual Men. AIDS & Behavior, on-line antes da impressão, 2018.

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