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BOLETIM EPIDEMIOLÓGICO 2007

01/12/2007 - www.aids.gov.br

O hiv/aids no Brasil

Boletim Epidemiológico 2007

Noventa por cento das pessoas com aids no Sudeste continuam vivas cinco anos após o diagnóstico. No Norte, o índice é de 78%

O Boletim Epidemiológico 2007 traz, pela primeira vez, dados sobre a proporção de pessoas que continuaram vivendo com aids em até cinco anos após o diagnóstico. O estudo foi feito com base no número de pessoas identificadas com a doença em 2000. Os dados apontam que, cinco anos depois de diagnosticadas, 90% das pessoas com aids no Sudeste estavam vivas. Nas outras regiões, os percentuais foram de 78%, no Norte; 80%, no Centro Oeste; 81%, no Nordeste; e 82%, no Sul.

A análise mostra, ainda, que 13,9% dos indivíduos diagnosticados com aids no Norte haviam morrido em até um ano após a descoberta da doença. No Centro Oeste, o percentual foi de 12,7% e no Nordeste, de 12,1%. Na região Sul, o indicador cai para 9,1% e no Sudeste, para 3%. A média do Brasil foi de 6,1%. Em números absolutos, o Brasil registrou 192.709 óbitos por aids, de 1980 a 2006.

Os dados foram lançados nesta quarta-feira (21/11), no auditório Emílio Ribas, na sede do Ministério da Saúde, em Brasília. Na ocasião, também foram apresentados os números do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV e Aids (UINAIDS) sobre a epidemia no mundo.

Para a diretora do Programa Nacional de DST e Aids, Mariângela Simão, os números refletem o problema do diagnóstico tardio e as desigualdades regionais do Sistema Único de Saúde (SUS). “Nosso desafio é reforçar a qualidade da assistência no SUS e ampliar o diagnóstico precoce da infecção pelo HIV, seja nos exames de rotina na rede pública ou no uso do teste rápido. No cenário de uma doença de transmissão predominantemente por via sexual, com vírus circulante na população, todas as pessoas que tenham relações sexuais desprotegidas podem ser expostas ao risco de infecção pelo HIV".

De acordo com o Boletim, de 1980 a junho de 2007, foram notificados 474.273 casos de aids no País – 289.074 no Sudeste, 89.250 no Sul, 53.089 no Nordeste, 26.757 no Centro Oeste e 16.103 no Norte. No Brasil e nas regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste, a incidência de aids tende à estabilização. No Norte e Nordeste, a tendência é de crescimento. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil tem uma epidemia concentrada, com taxa de prevalência da infecção pelo HIV de 0,6% na população de 15 a 49 anos.

Em 2006, considerando dados preliminares, foram registrados 32.628 casos da doença, confirmando uma tendência de queda no número de casos, identificada a partir de 2002, quando houve 38.816 notificados. Naquele ano, a taxa de incidência da aids foi de 22,2 casos por 100 mil habitantes. Em 2005, a taxa foi de 19,5/100 mil e em 2006, de 17,5/100 mil.

Epidemia de Aids no Brasil – Outras análises (dados de 2006 preliminares)

Regiões - A região Norte apresenta maior crescimento no número de casos de aids (39,6%). O número passou de 1.459 notificações, em 2002, para 2.037, em 2006. No Nordeste, o número passou de 4.590, em 2002, para 5.189, em 2006 (aumento de 13%).

O Sudeste é a região que apresenta maior queda (25%). Foram 21.752 casos registrados em 2002 e 16.306 em 2006. No Sul, o número caiu de 8.577 casos, em 2002, para 7.002 em 2006 (redução de 18,4%). No Centro Oeste, a tendência é de estabilização, com tendência a queda - foram 2.438 casos em 2002 e 2.094 em 2006.

As taxas de incidência (casos por 100 mil habitantes) confirmam as tendências:

Região 2002 2006 (dados
preliminares)

Até junho de 2007, foram registrados 672 no Centro Oeste, 707 no Norte, 1.939 no Nordeste, 4.067 no Sul e 5.686 no Sudeste.

Em relação ao número absoluto de óbitos por aids, o Norte apresenta crescimento de 42,4%. Foram registradas, na região, 415 mortes por aids, em 2002, e 591, em 2006. No Nordeste, o número subiu 15,7% entre 2002 (1.341 óbitos) e 2006 (1.552 óbitos). No Centro-Oeste, houve 557 mortes, em 2002, e 640, em 2006, o que representa aumento de 14,9%.

No Sudeste as mortes caíram 11,76% – 6.496, em 2002, e 5.732, em 2006). No Sul, a queda foi de 46,5% − 2.246 óbitos, em 2002, e 1.046, em 2006. Porém, observa-se grande subnotificação do número de mortes no Rio Grande do Sul, o que influencia no dado da região.

Sexo e faixa etária – Na série histórica, foram identificados 314.294 casos de aids em homens e 159.793 em mulheres. Ao longo do tempo, a razão entre os sexos vem diminuindo de forma progressiva. Em 1985, havia 15 casos da doença em homens para 1 em mulher. Hoje, a relação é de 1,5 para 1. Na faixa etária de 13 a 19 anos, há inversão na razão de sexo, a partir de 1998.

Em ambos os sexos, a maior parte dos casos se concentra na faixa etária de 25 a 49 anos. Porém, nos últimos anos, tem-se verificado aumento percentual de casos na população acima de 50 anos, em ambos os sexos.

Categoria de exposição – Em homens com mais de 13 anos, observa-se, na série histórica, crescimento da epidemia em heterossexuais, estabilização entre homossexuais e bissexuais e redução entre usuários de drogas injetáveis (UDI). Em homo/bissexuais jovens, no entanto, a tendência é de crescimento.

Em 1996, dos casos registrados em homens, 29,4% foram em homo/bissexuais; 25,6% em heterossexuais; e 23,6% em UDI. Em 2006, foram 42,6% em heterossexuais; 27,6% em homo/bissexuais e 9,3% em UDI.

Em mulheres acima de 13 anos, dos casos notificados em 1996, 86,1% foram em heterossexuais e 12,6% em UDI. No ano passado, o percentual de casos em heterossexuais subiu para 95,7% e em UDI caiu para 3,5%.

Menores de 5 anos – Em 2005, foram identificados 700 casos de aids nessa população, representando taxa de incidência de 3,9 casos por 100 mil habitantes. Em 2006, foram registrados 526 casos em menores de 5 anos, mas esse número provavelmente está subnotificado. Considerando as regiões, a taxa de incidência é maior no Sul (6,1), seguido do Sudeste (4,4); Nordeste (3,1); Norte (2,7) e Centro Oeste (2,6).

Raça/cor – Os dados segundo o critério raça/cor ainda são limitados, devido ao alto percentual de ignorados (27%). Apesar da limitação, observa-se, na série histórica, redução proporcional de casos de aids e de óbitos entre brancos e aumento entre pretos e pardos, em ambos os sexos.

Obs: Os dados de 2006 são preliminares

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