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MEDICAMENTOS

13/05/2005 - Folha de São Paulo

País poderia fazer droga para Aids, diz estudo

Um estudo encomendado pela Abia (Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids) concluiu, com base em análise de dois especialistas independentes, que o Brasil tem condições de fabricar medicamentos genéricos contra a Aids.
O trabalho fala da reprodução das drogas mais caras, utilizadas quando outras falham. Para fabricar os remédios, no entanto, o governo teria de quebrar patentes.
A pesquisa contradiz o que alegou o governo brasileiro ao se recusar a permitir a fabricação dos genéricos desse tipo de remédio no ano passado.
Procurado, o governo brasileiro não quis se manifestar por não conhecer detalhes do estudo. (DA REPORTAGEM LOCAL E DA SUCURSAL DO RIO)


NOTA ABIA

BRASIL TEM CAPACIDADE PARA PRODUZIR ANTI-RETROVIRAIS PATENTEADOS

Pesquisa da REBRIP mostra que dinheiro usado na importação poderia ser usado na fabricação nacional de genéricos

O Brasil possui capacidade e habilidade para produzir a chamada segunda linha de medicamentos anti-retrovirais (ARVs). Esta é a conclusão do documento “A produção de ARVs no Brasil – Uma avaliação”, realizado pelo Grupo de Trabalho sobre Propriedade Intelectual da Rede Brasileira pela Integração dos Povos – GTPI/REBRIP, coordenado pela Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (ABIA).
De acordo com a pesquisa, as indústrias brasileiras estão aptas a produzir medicamentos ARVs em esquemas de fabricação que poderiam torná-las economicamente competitivas junto aos melhores produtores mundiais de medicamentos genéricos. Ainda segundo o documento, a situação científica e tecnológica do Brasil e a experiência prévia de empresas nacionais poderiam reverter o atual cenário, no qual grande parte do dinheiro é usada para importar medicamentos.
“Atualmente, o acesso aos medicamentos de “segunda linha” é de importância crítica para se manter o controle da infecção por HIV, principalmente, em pessoas resistentes as terapias ARVs anteriores. No Brasil, o acesso a todos os medicamentos necessários para o tratamento do HIV/AIDS é garantido pelo Estado. Desde o ano de 2005, as ONGs de AIDS e o GTPI vêm denunciando que a produção nacional de medicamentos de segunda linha é fundamental para a sustentabilidade do Programa Nacional de HIV/AIDS. As licenças compulsórias dos medicamentos sempre foram apenas ameaças e o principal argumento do governo é a suposta falta de capacidade brasileira. Esse relatório técnico demonstra que esse argumento é falso”, afirma Renata Reis, da ABIA/GTPI/REBRIP.
Para chegar a estes resultados, foram visitados quatro grandes laboratórios farmacêuticos brasileiros (Cristália, Nortec Química, LAFEPE e FIOCRUZ/Far-Manguinhos) durante o primeiro quadrimestre de 2006. Foram avaliados dois aspectos técnicos: a capacidade de produzir ingredientes farmacêuticos ativos e a capacidade de produzir doses prontas.
Para a produção de doses prontas, a pesquisa apontou que a capacidade ociosa disponível é suficiente para dar conta das necessidades do Brasil. Hoje, a indústria nacional tem capacidade de produção, sem a necessidade de investimentos. No caso da FAR-Manguinhos, por exemplo, existe um amplo leque de tecnologias e capacidade em excesso para a atender às necessidades de produção de ARVs, caso seja comparada aos maiores laboratórios farmacêuticos internacionais.
Já ao avaliar a capacidade de Produção de Ingredientes Farmacêuticos Ativos (APIs), item fundamental dos anti-retrovirais, a pesquisa mostrou que os laboratórios podem produzir um volume muito significativo dos APIs necessários para a demanda nacional. As empresas brasileiras já produzem atualmente APIs comerciais com desafios técnicos semelhantes àqueles para produção de ARVs. Além disso, a produção, a qualidade e os cargos de gerenciamento estão preenchidos por profissionais bem treinados e com excelentes qualificações.

Carla Rodrigues e Veronica Marques
Assessoria de Imprensa
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